TESTEMUNHAS DE JEOVÁ CONGRESSO INTERNACIONAL EM LISBOA

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TESTEMUNHAS DE JEOVÁ CONGRESSO INTERNACIONAL EM LISBOA

Testemunhas de Jeová na sua atividade de divulgação em Lisboa 2019

Mais de 60 mil Testemunhas de Jeová, oriundas de 46 países, estão reunidas em Lisboa, para um congresso internacional sobre o tema, O Amor Não Acaba.

O porta-voz das Testemunhas de Jeová em Portugal, Dr. José Catarino, em declarações à SIC afirmou que, “a escolha do estádio da Luz se deve ao facto de ser o espaço com maior disponibilidade de lugares em Lisboa”.

Os congressos internacionais das Testemunhas de Jeová, realizam-se habitualmente em grandes estádios, um pouco por todo o mundo. Esta é a segunda vez que Lisboa recebe um congresso internacional da organização religiosa, tendo sido o anterior realizado , no ano de 1978,  no estádio do Belenenses Futebol Clube, no Restelo.

As Testemunhas de Jeová, estão em Portugal desde o princípio do século passado. Nos anos sessenta, quando os seus membros em idade do serviço militar, recusaram a mobilização geral para a guerra colonial, declarando-se objetores de consciência, com base na sua estrita neutralidade em assuntos políticos e nos ensinamentos bíblicos sobre a santidade da vida, viram a sua obra proscrita e os seus salões de reunião encerrados pela PIDE. Um dos casos marcantes de perseguição passou-se na noite de 10 de junho de 1965, quando a Congregação Feijó das testemunhas de Jeová, estava pacificamente reunida numa casa  na margem Sul. Cerca de setenta pessoas no local estudavam a Bíblia entre si como é costume regular das Testemunhas de Jeová. Por volta das 22 horas, a polícia, comandada pelo Tenente Jorge Manuel Natividade Jacob, dissolveu a reunião e prendeu quarenta e nove pessoas.

Embora não fosse feita nenhuma acusação oficial, dois dos ministros, Arriaga Cardoso e José Fernandes Lourenço, foram levados para a prisão do Forte de Caxias.

Os arguidos, foram acusados de serem autores materiais do “crime contra a segurança do Estado, de instigação à desobediência coletiva, previsto e punido no artigo 174 do Código Penal e de se constituírem num movimento político, vindo de países diversos para fins de desobediência, agitação e subversão das massas populares e designadamente dos mancebos em idade popular”.

Às 14,30 horas de quinta-feira, 23 de Junho, no tribunal do Largo da Boa Hora, em Lisboa, teve inicio o julgamento. Testemunhas de Jeová, de todas as partes de Portugal, afluíram à cidade para apoiar moralmente os seus irmãos e irmãs cristãos em julgamento. Cerca de  5.000 pessoas acorreram ao local. A maioria delas permaneceu do lado de fora, na rua, durante as cinco horas da sessão a aguardar notícias do desenrolar do processo que decorria no interior do tribunal.

Os três juízes designados para julgar o caso foram o desembargador António de Almeida Moura, presidente, os auxiliares corregedores Saudade e Silva e Bernardino de Sousa. O promotor do Governo foi o Dr. Lopes de Melo, e o advogado de defesa, representando os acusados, foi o Dr. Vasco Almeida e Silva.

 O jornal O Século, na edição do dia seguinte, noticiava: “Quem ontem chegasse ao Largo da Boa Hora deparava com um espectáculo surpreendente [. . .] Tanto as janelas em redor do segundo e terceiro pisos, como os corredores, que são muitos, estavam pejados de gente. No pátio o povo comprimia-se. [. . .] A ordem não foi alterada. [. . .] Calculou-se em mais de 2.000 as pessoas presentes dentro e fora do edifício. Foi a primeira vez que se viu ali tão elevado número de pessoas. Eram, na maioria, simpatizantes com os réus e com a sua religião.”

Os réus foram condenados a penas de prisão naquilo que foi considerado internacionalmente um “craso erro judicial”, nem sequer um fato ou evidência foi apresentada para provar que os arguidos eram culpados dos crimes de que eram acusados. É de salientar que  o coletivo de juízes não permitiu manter nenhum registo do desenrolar do julgamento.

Com a recuperação da Democracia em Portugal, após o 25 de Abril de 1974, as Testemunhas de Jeová, puderam deixar de realizar a sua obra na clandestinidade, reabriram os seus locais de reunião, a que chamam Salões do Reino e conseguiram legalizar-se como associação religiosa reconhecida em Portugal. Estão atualmente presentes em todos os distritos do país e nas regiões da Madeira e dos Açores, onde além das habituais reuniões semanais, efetuam anualmente congressos e assembleias similares ao que se está a realizar em Lisboa até Domingo.

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