PARA QUE A MEMÓRIA NÃO SE APAGUE: FAZ ANOS QUE CATARINA EUFÉMIA FOI ASSASSINADA PELA GNR

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PARA QUE A MEMÓRIA NÃO SE APAGUE: FAZ ANOS QUE CATARINA EUFÉMIA FOI ASSASSINADA PELA GNR

CATARINA EUFÉMIA

Foi a 19 de maio, corria o ano de 1954, que morreu Catarina Efigénia Sabino Eufémia. Quando protestava contra a miséria a que ela e outros assalariados rurais estavam sujeitos, foi assassinada a tiro por um tenente da GNR, Carrajola, de seu nome.

Nasceu no seio de uma família de camponeses, em Baleizão em fevereiro de 1928. Não lhe deixaram tempo para ir à escola e cedo começou a ajudar os pais em trabalhos domésticos, enquanto estes trabalhavam num latifúnfio. Foi também para lá que acabou por ir, ainda adolescente e fez de tudo o que há para fazer no campo, desde a sementeira à ceifa.

Casou cedo, tinha apenas 17 anos. Depois de uma breve passagem pelo Barreiro, regressou aos campos de Baleizão, que os salários eram pequenos e era preciso alimentar os filhos, que já eram três, o mais novo, apenas com oito meses e estava um quarto a caminho.

Naquele dia fatídico liderou um grupo de 14 ceifeiras, na Herdade do Olival, foram falar com o feitor para pedir um aumento de dois escudos por jorna. Este, aterrorizado, correu a Beja, para avisar o patrão e chamar a GNR. Nestes assuntos a força militarizada não se demorava e pouco depois cercou o grupo, tendo o tenente Carrajola abatido Catarina. De acordo com o resultado da autópsia terá sido atingida por três balas, disparadas à queima-roupa e pelas costas

Nem no seu funeral os fascistas respeitaram a sua memória. As autoridades resolveram realizar o funeral às escondidas, antecipando-o de uma hora em relação àquela que tinham feito constar e quando se preparavam para iniciar a sua saída às escondidas, o povo correu para o caixão com gritos de protesto. A GNR dispersou à bastonada a multidão que protestava contra sua morte e no tumulto que se gerou foram presos nove camponeses, que seriam depois “julgados” e condenados a dois anos de prisão.

Para prevenir homenagens e romarias que o Governo de Salazar considerava subversivas a GNR não permitiu que o corpo de Catarina fosse depositado na terra onde a assassinara. Foi para Quintos e só após a Revolução dos Cravos foi transladado para Baleizão.

O tenente Carrajola ficou impune. Falecido em 1964, nunca foi presente a Tribunal e nem sequer foi castigado pela GNR. Sabe-se apenas que, supostamente para sua proteção, foi transferido para Aljustrel.

Poetas, escritores e músicos, como Sophia de Mello Breyner, Carlos Aboim Inglez, Eduardo Valente da Fonseca, Francisco Miguel Duarte, José Carlos Ary dos Santos, entre outros, dedicaram-lhe poemas.

Catarina Eufémia é um ícone da resistência contra o salazarismo.

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