OPINIÃO/CRUZEIRO: VIVER TODOS OS DIAS CANSA

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OPINIÃO/CRUZEIRO: VIVER TODOS OS DIAS CANSA

Viver todos os dias cansa…

Este, é o titulo de uns dos meus livros preferidos, de um daqueles autores que mais admiro, senão mesmo o meu escritor predileto.

De seu nome, Pedro Paixão.

E sim, cansa…

Pedro Paixão pode-o ter escrito devido à sua bipolaridade, mas não deixa de ter razão.

Razão, em que viver cansa.

Razão, em que viver todos os dias é uma luta desigual.

Já o povo diz, quem nasce lagartixa nunca chega a jacaré…( o triste fado do “tuga” )

E tem toda a razão.

As oportunidades não são iguais para todos.

Por muito que se lute para que não continuem essas desigualdades, estas, são bem patentes…

No acesso à saúde.

No acesso à educação.

No acesso à habitação

No acesso ao um emprego digno.

No acesso ao mais banal e trivial…

Mesmo na terra das Oportunidades, basta olhar à volta e perceber que assim é.

Por muito que custe a algumas pessoas a ouvirem, mas para um aluno que anda numa escola degradada, com professores desmotivados, assistentes operacionais com poucas condições de trabalho, muito dificilmente terá o mesmo desempenho e empenho, de um aluno, onde aconteça o inverso.

Famílias com problemas, levam a demasiadas implicações nos jovens e menores que queiram vingar na vida.

O desleixo social, com a falta de políticas positivas de inclusão, leva ao abandono escolar e a muitas outras situações de exclusão social.

São precisas políticas profundas, que abalem e mudem a sociedade, como a conhecemos. Meras pinceladas em quadros negros, não chegam.

Criar uma nova sociedade, com valores íntegros e uma moralidade invicta. Mas isto não é fácil e será certamente utópico e nada realista.

Dizer que as oportunidades  são iguais e ao alcance de todas e de todos é falso..

Quem consegue acesso, através do capital, ou da sua posição social, ao que quer, sem preocupações, sem pensar em dividas, ou como vai ter que colocar comida na mesa, naquela noite, terá sempre uma grande vantagem.

Não basta apenas gritar numa qualquer sessão solene, quando se mostra esta realidade em Odivelas, usando exemplos bem conhecidos.

Os números apresentados, num estudo recente falam por si. Quem leva vantagem económica, ganha terreno no acesso a cursos específicos a nível superior.

Em jeito de piada, alguém dizia, numa qualquer rede social, que os alunos do secundário, estudam no privado para ingressar nas faculdades públicas. E os alunos que estudam no público, vão depois para as escolas privadas a nível superior.

Aqui, o simples “exemplo” das condições, refiro-me ao espaço físico.

Escolas sem espaços para que se dê azo à imaginação e ás brincadeiras.

Sem espaços cobertos para a prática da educação física, quando as condições climatéricas, não permitem que seja feita no exterior.

Salas sem aquecimento, ou qualquer tipo de isolamento térmico, com o chão danificado e infiltrações nas paredes, mal começam a cair as primeiras chuvas.

Escolas sem salas próprias, para os clubes de ciência, ou da rádio, ou para as associações de estudantes. Salas, onde as alunas e os alunos possam estar á vontade e a fazer uma qualquer atividade de uma forma livre.

O que não acontece, dada a sobrelotação de muitos dos estabelecimentos de ensino em Odivelas.

Escolas, com refeitórios sem capacidade para todos os alunos,caso quisessem tomar as suas refeições ao mesmo tempo.

Sem auxiliares, turmas enormes, demasiados alunos…

Escolas com coberturas de amianto que se estão a deteriorar a olhos vistos.

Agora com a aceitação da delegação das  competências para a educação pelo município de Odivelas terá que ser tempo para agir e fazer neste campo a terra das Oportunidades para todas e todos.

Rui Santos

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