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OPINIÃO CRUZEIRO – UMA NOVA MOBILIDADE URBANA EM ODIVELAS 

Anunciaram-se recentemente grandes alterações no que diz respeito à mobilidade e aos transportes públicos na Área Metropolitana de Lisboa.

Vamos esquecer as mais que esperadas, gastas e infundadas acusações de populismo, despesismo e eleitoralismo e olhemos com atenção séria para o que aí vem.

Ora, o que aí vem são, genericamente e a meu ver, boas notícias.

Obviamente, o facto que chamou maior atenção é o novo tarifário – mais simples e (muito) mais barato e claramente vantajosa para as famílias atendendo à limitação máxima de 80€/mês por agregado. Façam-se contas, por exemplo, para uma família que viva em Caneças, composta por quatro pessoas, na qual dois adultos trabalham em Lisboa, um dos filhos estuda também em Lisboa e o petiz tem a sorte de poder ir a pé para a escola. Contas feitas, este agregado familiar gastará atualmente mais de 180 euros/mês em passes (o passe intermodal L12 custa 61,20€). Com as novas medidas, esta família não gastará mais de 80€, ou seja, uma poupança de mais de 100€/mês. Não é pouco e mesmo quando chegar a hora do petiz mais pequeno andar também de transportes públicos, tal não implicará um aumento da despesa familiar! É, indubitavelmente, uma excelente medida para as famílias.

Mas as mudanças na política de transportes públicos em Lisboa não se ficam por isto. Há mais mudanças, menos mediáticas e menos faladas mas que são de grande importância.

Falo, por exemplo, da definição dos percursos das carreiras de autocarros e dos respetivos horários. Até aqui, esta era uma incumbência exclusiva da concessionária da zona (que, no caso do concelho de Odivelas, é a Rodoviária de Lisboa). Ora, a concessionária, apesar das obrigações decorrentes da prestação de um serviço público, tem necessidade de rentabilizar financeiramente o seu investimento e a sua atividade, acabando por condicionar a estes critérios economicistas as decisões quanto a percursos e horários de carreiras, muitas vezes com sério prejuízo para a qualidade do serviço prestado e para as necessidades da população. Acresce que no modelo atual as autarquias não têm qualquer poder para intervir decisivamente nestas questões.

Ora, com as mudanças que começarão a ser implementadas no próximo ano esta situação mudará e serão as câmaras municipais a definir, por exemplo, o percurso e os horários das carreiras. Isto implica que nas carreiras dentro do nosso concelho (intramunicipais) a decisão caberá à Câmara Municipal de Odivelas. Esta é, na minha opinião, uma ótima notícia porque são as autarquias (Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia) que melhor conhecem o território e as necessidades das populações, estando em excelente posição para equilibrar as necessidades de um serviço público de qualidade com uma gestão equilibrada. Talvez, assim, se consigam resolver vários e muito antigos problemas que, por exemplo (e porque é a realidade que melhor conheço), existem na Ramada e em Caneças como muitos bairros não serem servidos por uma carreira pública (Carrascais, Granjas Novas, Flor do Minho/Monte Verde, Arco Maria Teresa, só para falar de alguns).

Acresce que o retorno para o país assentará na redução do consumo de combustíveis fósseis e emissão dos respetivos resíduos, num melhor ambiente, numa deslocação mais rápida, em maior produtividade. Lembremo-nos que um país desenvolvido não é aquele onde os mais abastados compram os carros mais caros; é aquele onde os mais abastados andam de transportes públicos.

São, definitivamente, notícias que criam esperança numa rede de transportes públicos rápida, eficaz, eficiente e amiga do ambiente.

Mas, para falar de mobilidade urbana em Odivelas, temos de falar do elefante no meio da sala – a Linha Amarela do Metropolitano. Já não há espaço esta semana mas fica para breve o meu comentário.

Até para a semana. Desfrutem de Odivelas!

Fernando Sousa Silva
Sociólogo

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