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OPINIÃO/CRUZEIRO: ODIVELAS E O COR DE ROSA

Odivelas e o cor de rosa

Em Odivelas os «bonitos» discursos políticos acerca da proteção aos seres mais desfavorecidos não têm correspondência com a vida quotidiano. Estejamos a falar de seres humanos ou de animais, há muito por fazer na dignificação das condições de vida dos seres mais vulneráveis

As políticas sociais são limitadas no espaço, no tempo e nos recursos, mas sem uma perspetiva integrada. A rede de cuidados aos idosos tem vindo a perder capacidade de resposta e o fecho do Lar da Segurança Social remeteu as pessoas desfavorecidas para condições de vida ainda mais precárias na velhice e deixando-as sem serviços de apoio públicos. Por seu lado, os apoios municipais às pessoas (como os fundos sociais de emergência) ou às diferentes instituições sociais que trabalham na área da velhice têm sido manifestamente curtos para a realidade de um concelho onde há cada vez mais idosos a viver mais tempo.

No setor da habitação social há problemas cuja resolução tarda há décadas. Entretanto, em 2016, a política da Câmara Municipal foi vender perto de 20% dos imóveis municipais destinados à habitação social. Por seu turno, os números relativos às necessidades de habitação no concelho divulgados publicamente não batem certo com os que o executivo municipal apresenta.

Os projetos e planos de reabilitação e requalificação urbana sucedem-se, mudam de nome consecutivamente, mas a realidade de quem vive no Barruncho, na Urmeira ou em outros bairros do concelho permanece estagnada há tempo demais. A par da falta de condições de habitabilidade, em muitos desses territórios as respostas sociais também são muito precárias. A falta de transportes públicos, creches ou equipamentos adequados, por exemplo, é ainda mais flagrante nessas áreas do que em outras zonas de Odivelas.

Estas carências ficam bem visíveis quando se circula pelas imediações do Mosteiro de São Dinis ou das estações de metro. Ao contrário do que dizia o executivo municipal, em Odivelas vivem pessoas sem abrigo.

Se as pessoas continuam esquecidas, como poderia ser diferente com os animais?! Como disse Mahatma Gandhi, ”a grandeza de uma nação e o seu progresso moral podem ser avaliados pela forma como trata os seus animais”.

Apesar do poder autárquico querer passar a ideia de que tudo está bem, que em Odivelas a preocupação com o bem-estar animal não é só propaganda e que existe uma política ativa de defesa e valorização dos direitos dos animais, a realidade é sobejamente diferente. A título de exemplo, a campanha de recolha de dejetos caninos, que custou cerca de 100 mil euros, traduz-se na existência de dezenas de dispensadores de sacos permanentemente vazios. Bem como dois parques caninos,que foram abertos sem qualquer informação e que estão deixados ao abandono.

Já no Gabinete Veterinário Municipal as listas de espera para recurso ao serviço público vão para lá do aceitável, particularmente no que diz respeito à saúde e ao bem-estar de animais e até mesmo das populações humanas. Mais de um mês para vacinação ou cerca de dois anos por uma esterilização é a realidade que alguns responsáveis chegaram a qualificar de normal.

Em defesa de um serviço público de qualidade, na Assembleia Municipal, por proposta conjunta do Bloco de Esquerda e do partido Pessoas Animais e Natureza (PAN) foi aprovada uma recomendação para melhorar o desempenho do GVM, através do alargamento do horário de funcionamento, do reforço da contratação de profissionais e da melhoria dos recursos disponíveis para o exercício da sua missão de serviço público.

Assim, cor de rosa são apenas os executivos autárquicos do concelho!

Luís Miguel Santos

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