OPINIÃO CRUZEIRO: NUM TOM MAIS PESSOAL…

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OPINIÃO CRUZEIRO: NUM TOM MAIS PESSOAL…

Depois de duas semanas de ausência por motivos profissionais e pessoais, volto às minhas crónicas na nossa Rádio Cruzeiro.

Não me faltam assuntos para abordar e que tenho muita vontade de abordar. Temas como a amputação da linha amarela do Metro, a passagem da gestão do Mosteiro de São Dinis e São Bernardo para as mãos da CMO, a nomeação de Odivelas como Cidade Europeia do Desporto, o agravamento da (já) profunda e grave desigualdade entre ricos e pobres que é mencionada no relatório da Oxfam ou os incidentes no Bairro da Jamaica e que já tiveram alguma repercussão no nosso concelho de Odivelas, só para dar alguns exemplos.

Abordarei, de certeza, alguns destes temas em crónicas futuras porque a sua pertinência não se perderá. Outros, talvez não os chegue a abordar porque perdem-se na espuma dos dias e na vertigem mediática que os afogará.

Porém, nesta crónica, faço uma opção por um tema que me é muito querido, muito pessoal e totalmente pertinente: vou falar do Movimento Odivelas no Coração (MOC). Faço-o porque fui voluntário (e até dirigente) do MOC . Faço-o porque sei ser agradecido, porque tenho orgulho no que lá fiz, faço-o porque o MOC merece que se fale mais dele. Faço-o porque o MOC completou o seu 11º aniversário no passado dia 16 de janeiro.

O MOC foi fundado em 2008 por Vitor Peixoto, José Barão das Neves, Joaquim Lourenço, Jorge Ramos Silva, Lurdes Carreto e António Gonçalves, constituindo-se como movimento político de cidadãos que pretendia candidatar-se aos órgãos autárquicos de Odivelas. Foi nesse ano, pouco depois da fundação, que aderi ao MOC e integrei as respetivas listas de candidatos.

O MOC conseguiu, nesse ano, juntar mais de 5000 assinaturas de Odivelenses que concordaram com a apresentação deste movimento às eleições autárquicas; seguiu todos os exigentes trâmites legais para se poder candidatar (é mais fácil fundar um partido de âmbito nacional do que criar um movimento de cidadãos para concorrer a eleições autárquicas!!!) mas o Tribunal Constitucional impediu que tal ocorresse devido a uma questão burocrática relacionada com a forma dos impressos onde se recolheram essas mesmas assinaturas. Uma decisão estranha pois o modelo de impresso adotado foi o que serviu para outros movimentos de cidadãos em outros concelhos que puderam ir a eleições sem quaisquer problemas…

Muitos vaticinaram a morte do MOC. Afinal, a razão de ser deste movimento tinha-se extinto porque não ia a eleições. Porém, não foi bem assim! Sob a direção de Vitor Peixoto, o MOC transformou-se, reorganizou-se (tinha, nesta altura, cerca de 500 sócios) e orientou-se para a ação cívica, algo que ainda hoje faz. Fizémos (uso com orgulho a primeira pessoa do plural) muitas coisa gira e socialmente útil em prol de Odivelas como ações de sensibilização (arrancámos com um inesquecível protesto por causa dos postes de alta tensão que cruzam o concelho), sessões de esclarecimento, recolha de potenciais dadores de medula óssea, cursos de formação (socorrismo, principalmente), ações recreativas (como caminhadas, passeios, sardinhadas, jantaradas ou rallies-paper) e debates e tertúlias sobre temas diversos como a cidadania, a credibilização da política, o comércio local, a comunicação social local, a condição da mulher, a água e os serviços municipalizados ou um inesquecível debate – pela sua qualidade – sobre violência doméstica.

Porém , onde o MOC verdadeiramente se destacou (e ainda destaca) foi no apoio, nomeadamente alimentar, a famílias carenciadas. Não nos esqueçamos que o ano de 2008 foi o ano da crise económica-financeira que atingiu seriamente Portugal e afetou fortemente os Portugueses. Multiplicaram-se os casos de pobreza, de famílias que, pura e simplesmente, não conseguiam colocar comida na mesa para si próprios ou para os seus filhos. Sustentado numa parceria com o Banco Alimentar Contra a Fome e no trabalho desenvolvido por um grupo que chegou a ter mais de oitenta de voluntários (os “melhores do mundo”! Quem se esquece dos animados – e também divertidos – “Serões de Voluntariado” que ainda hoje se realizam), o MOC tem providenciado apoio alimentar a várias famílias do nosso concelho. No seu máximo, chegou a apoiar 180 agregados familiares, ou seja, mais de 500 pessoas. Os alimentos eram angariados por via do Banco Alimentar, por campanhas de recolha de alimentos (numa delas chegámos a recolher cerca de seis toneladas de alimentos) ou por doações particulares. O apoio a estas famílias era também extensível a outras áreas como consultas médicas gratuitas, apoio psicológico e até explicações nas mais diversas matérias escolares.

O trabalho desenvolvido pelo MOC tem sido, de facto, notável e continua a ser feito!

Pessoalmente, o MOC marca uma página muito bonita e inesquecível na minha vida. Conheci gente fantástica, fiz amizades maravihosas que ainda hoje preservo, vivi momentos fantásticos que nunca esquecerei e o trabalho que lá fiz realizou-me e encheu-me a alma; fez de mim uma pessoa melhor, um cidadão mais atento, consciente e participativo. Fez com que tornasse ainda mais Odivelense do que já era. Assim, só posso dizer isto: MUITO OBRIGADO, MOVIMENTO ODIVELAS NO CORAÇÃO.

O trabalho feito pelo MOC, agora sub a presidência do meu amigo António Nunes, merece o reconhecimento de todos os Odivelenses. Não só pelo trabalho desenvolvido em prol de uma melhor qualidade de vida dos Odivelenses mas também porque esse trabalho – podendo ser, atualmente, mais discreto – não deixa de ser um trabalho essencial para que alguns dos nossos concidadãos possam viver um pouco mais confortados.

Ao fim destes anos a lutar pelo nosso concelho, Odivelas também tem que dizer: MUITO OBRIGADO, MOVIMENTO ODIVELAS NO CORAÇÃO.

Até para a semana! Desfrutem de Odivelas (no Coração)!

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