Opinião Cruzeiro: Não pergunte o que a sua terra pode fazer por si, mas o que pode fazer pela sua terra

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Opinião Cruzeiro: Não pergunte o que a sua terra pode fazer por si, mas o que pode fazer pela sua terra

 

Temos uma elite/classe política que se tem perpetuado ciclicamente no poder, diria quase desde tempos imemoriais. De quando em vez, os méritos do 25 de Abril são ensombrados por um quadro jurídico que, apesar de apontar no sentido da democracia e da liberdade, tem dado espaço as diversas praxis governativas que consecutivamente remetem esses sonhos da Liberdade para uma espécie de moldura muito castiça, mas pouco consequente. Assiste-se a este paradoxo, Portugal é um Estado de Direito formal, porém ainda não é na plenitude um Estado de Direito material.

 

É verdade que os governantes não são os mesmos de outros tempos, todavia se olharmos com frieza percebemos que o aconteceu foi uma “rotação de cadeiras”, ou como diria o Professor Adriano Moreira, «assistiu-se a uma renovação das elites».

 

Sabendo-se que as elites politicas se renovam sempre que as elites instituídas se deixam ultrapassar pelos acontecimentos ou por factores ambientais, também não podemos negar que a cultura de casta impõe rapidamente aos novos membros velhos vícios. Os novos membros, vindos de espaços políticos originalmente antagónicos, seriam em si mesmo uma esperança de revisão de posturas, todavia parece mesmo que o Poder corrompe e os ideais são substituídos pelas benesses do poder. E aí, o bem comum é substituído pelos conflitos de interesses gerados.

 

Há sinais preocupantes de uma certa manutenção do modus operandis da nossa elite política, como acontece na redução da operacionalidade da rede de metropolitano confirmado pelo malfadado plano de encurtamento da Linha Amarela do Metro posto em marcha por este Governo, ao invés de uma rede de metropolitano que seja herdeira dos pergaminhos da visão ferroviária e do progresso preconizado por Fontes Pereira de Melo, garantindo efectiva mobilidade, promovendo a descentralização, a igualdade entre cidadãos através da liberdade de circulação.

É aqui que entra a chamada “classe média” (desculpem-me os sociólogos, pela imprecisão). A “classe média” pela natureza dos recursos a que acede tem normalmente capacidade de aceder também a recursos educativos, que lhe propiciam condições de intervenção política. Contudo, este grupo tem assistido a muitos disparates que o prejudica sem reagir.

 

Actualmente assiste-se a uma aceitação quase irracional, do exercício do poder por entidades mais ou menos conhecidas, que sucessivamente se mascaram atrás dos eleitos por todos, dando à política uma valoração excessivamente maquiavelista, logo de um racionalismo atroz direccionado para a gestão de interesses de minorias.

 

O pior, verifica-se na participação activa de todos, pela via eleitoral, nesse jogo de alternância das elites, permitindo-nos que inevitavelmente a escolha recaia sobre aquele que um qualquer publicitário nos apresente como sendo o mais engraçado.

 

Este marasmo de quem podia fazer a diferença é facilmente reconhecido nas escolhas que engrossam a ignorância, visível na escrita, mas também na rendição ao prazer em detrimento da utilidade racional: o hipermercado ao invés do museu; o programa de televisão cor-de-rosa ao invés do cultural ou do livro; a produção de uva para vinho ao invés da produção de cereais para pão; o deixa andar em detrimento de abnegada disciplina; ou então os enjoativos “eles é que sabem” ou “já não há nada a fazer, está decidido” – isto somos nós actualmente.

 

Porque insistimos em fazer as escolhas erradas? Porque não planeamos/projectamos? Porque tememos ou nos privamos de intervir?

 

Não por mero revisionismo, mas para que reconheçamos de que somos feitos, deveríamos dedicar mais atenção ao ADN que carregamos.

É verdade que os nórdicos estão economicamente à nossa frente, muito por se terem dotado de forte espírito comunitário e de serem educados, metódicos, organizados e objectivos.

 

É verdade que os “nuestros hermanos” começaram o caminho da democracia social ao mesmo tempo que nós, todavia terão sabido agarrar melhor as oportunidades que lhes apareceram.

 

Contudo, não é menos verdade, que fomos nós que descobrimos novos mundos, que abolimos a escravatura e a pena de morte em primeiro plano, fomos nós que fizemos os primeiros acordos entre “Estados” (ingleses, povos indianos, chineses, japoneses, …) e (tanto havia a recordar)… não menos importante só com este “rectangulozinho” e os filhos que a terra deu, já cá andamos vai para 9 séculos.

Então será que tudo isto que tanto nos orgulha, já não corre nas nossas veias:

  • Onde está a coragem de enfrentar novos desafios?
  • Onde está a nossa capacidade negocial?
  • Onde estão o nosso abnegado altruísmo, a nossa sensatez e a nossa tolerância?
  • Onde está aquela gente que no dia 25 de Abril de 1974 desceu à rua pronta para dar o peito às balas?
  • Onde estão os portugueses?
  • Onde mora o ADN dos nossos egrégios avós que nos faz existir há cerca de 9 séculos?

 

A alienação – essa – tanto passa pelos políticos que se deixam absorver pelos ritos oligárquicos, como pela não assumpção de responsabilidades seja na mais pequena estrutura seja na maior, como ainda pela efectiva e permanente intervenção de todos – mas mesmo todos – nos fóruns de decisão sem deixarmos que nos substituam ou que nos ouçam e onde urge que nos façamos ouvir.

Ao invés, de esperarmos que alguém empurre a carroça por nós, importa que nos cheguemos à frente e pensemos como fazê-lo e em conjunto empurrar então a bem dita da carroça.

Será tão difícil partilhar este esforço?

Quero acreditar que não!

 

Amanhã, 9 de Maio de 20419, a Assembleia Municipal de Odivelas, a partir das 20:00, voltará a discutir o tema da “Mobilidade e Transportes no Concelho de Odivelas”, onde além das mal conseguidas condições para o Navegante Municipal de Odivelas se debaterá e se determinará quem efectivamente está Contra o Fim da Linha Amarela do Metro.

Não serão estes assuntos mais do que suficientes para participar e qui ça intervir?

 

Procurarei estar convosco daqui a uma semana, neste mesmo espaço. Até lá!

08/Maio/2019

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