OPINIÃO CRUZEIRO: MOBILIDADE EM ODIVELAS E NA RAMADA – COM O METRO E ÀS VOLTAS

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OPINIÃO CRUZEIRO: MOBILIDADE EM ODIVELAS E NA RAMADA – COM O METRO E ÀS VOLTAS

Havia prometido que voltaria ao tema da linha amarela do Metro. Cumpro essa promessa hoje mas falarei também do Voltas (com uma excelente novidade). 

Comecemos pela questão da linha amarela e da sua eventual amputação. Não ponho em causa a boa-fé do Presidente da Câmara Municipal de Odivelas quando afirma ter a garantia do Ministro do da Ambiente e da Transição energética de que a Linha Amarela do Metro não será amputada e que partilhará parte do percurso com a futura linha circular (Linha Verde). Uma garantia ministerial tem peso e deve ter credibilidade. Porém, esta solução levanta uma série de graves problemas técnicos, de funcionalidade e de segurança que farão com que seja prestado um serviço pior a TODOS os utentes do metro do que aquele que é prestado atualmente. Aliás, a própria administração do Metropolitano já afirmou publicamente e de forma peremtória que tal não irá suceder (apesar de nunca o ter feito publicamente quando tem governantes por perto). 

Só para referir sumariamente alguns dos problemas que a dita sobreposição de linhas do metro levanta: 

  • devido ao entroncamento nivelado de linhas, a regulação da circulação nestas passará a ter que ser feita com utilização constante de agulhas para encaminhar as composições de comboios com aumento exponencial de avarias e de riscos para a segurança das pessoas; 
  • a regularidade dos comboios na linha circular nunca poderá ser a prometida, ou seja, de 4 em 4 minutos pois havendo a entrada de comboios da Linha Amarela na Linha Verde os intervalos de segurança entre comboios terão que ser alargados. Isto significa que, na melhor das hipóteses e com grande aumento dos riscos para a segurança, os comboios passarão com intervalos de oito minutos! Esta solução também alargará brutalmente o intervalo entre composições a sair de Odivelas; 
  • É uma opção que obriga a realizar profundas, longas e caras obras nos viadutos da estação do Campo Grande;  
  • E fica a questão do que será feito da estação de Telheiras? Desativa-se? 

Estas são apenas alguns dos pontos que levantam muitas interrogações sobre a solução prometida pelo governo aos Odivelenses. 

Há, contudo, uma solução que permite equilibrar os interesses de todas as partes interessadas – é a chamada “solução do laço” que podem ver na imagem abaixo. 

Esta solução “eliminaria” a Linha Verde, cujo percurso integraria uma nova Linha Amarela que, começando em Odivelas e terminando em Telheiras, integraria as novas estações Estrela e Santos e daria uma volta “circular” por toda a cidade de Lisboa. Os argumentos técnicos e de segurança a favor desta solução em laço são vários e de peso, começando logo pelo facto de não existirem entroncamentos ou cruzamentos nivelados. Mas há um outro argumento que é sempre muito forte neste tipo de questões: é que pouparia muito dinheiro, mais exatamente cerca de 50 a 60 milhões de euros pois não exige a realização de obras na estação do Campo Grande. 

Depois da recetividade muito favorável por parte de todos os grupos parlamentares ao abaixo-assinado entregue na Assembleia da República no passado dia 21 de março – recetividade que testemunhei pessoalmente por ter integrado a comitiva que fez essas entregas – reforcei a convicção de que o Governo irá ponderar nas opções tomadas e que atenderá aos interesses de todos quantos utilizam ou possam utilizar a linha amarela. Estamos a falar de cerca de 500.000 portugueses que residem nos concelhos de Odivelas, Loures e Mafra e nas freguesias a norte do Campo Grande. 

E não me venham com o argumento que esta é uma questão que só diz respeito a quem utiliza o metro. Relembrem o inferno que era, há uns anos, entrar de carro ou de autocarro em Lisboa via Calçada de Carriche. Relembrem porque essa situação pode voltar a acontecer. E, já agora, pensem também na desvalorização do vosso património imobiliário que um caos desses implica! 

Reafirmo, tenho a forte esperança e convicção de que o Governo reponderará a solução apresentada, para mais quando António Costa é um dos pais da vinda do Metro para Odivelas. 

Mas para além da esperança, há ainda boas notícias particularmente para os Ramadenses: foi publicamente anunciado na última reunião de Câmara pelo Presidente da CMO, Hugo Martins, a criação de um percurso Voltas na Ramada que percorrendo várias áreas da freguesia (algumas sem cobertura por transportes públicos) ligará a Ramada de Baixo às Granjas Novas, servindo o centro de saúde, várias escolas e zonas comerciais e de serviços. 

É, sem dúvida, uma excelente medida para uma antiga necessidade e aspiração dos Ramadenses e que irá melhorar muito a deslocação de pessoas dentro de uma freguesia que tem um relevo acidentado, bastante inclinado e difícil de percorrer, particularmente para a população que têm problemas ou dificuldades de mobilidade. Uma boa notícia que se espera que tenha concretização muito em breve. 

Até para a semana. Desfrutem de Odivelas 

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