OPINIÃO/CRUZEIRO: FOI UM FERRARI E UM BURRO!

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OPINIÃO/CRUZEIRO: FOI UM FERRARI E UM BURRO!

Foi um Ferrari e um Burro!

Quem não se lembra deste episódio caricato e de grande impacto, protagonizado por António Costa em 1993, para alertar para a necessidade da existência de melhores transportes públicos no acesso à cidade de Lisboa?

Quem não se lembra da eficácia deste “protesto” e que foi importantíssimo para conseguir a vinda do metro até à cidade de Odivelas?

Sem dúvida um dos pontos mais importantes da história recente deste município.

Engane-se quem pense que a Linha Amarela apenas serve Odivelas.

Milhares de utentes vindos dos concelhos de Loures, Mafra, Sintra e até de Torres Vedras, embarcam na Linha Amarela na estação de Odivelas e Senhor Roubado, para irem para os seus empregos no centro da cidade de Lisboa.

A Linha Amarela tem fraca ocupação durante o dia, quando comparada com outras linhas. Esta é a desculpa mais utilizada pelos defensores deste plano de expansão, que é mais um que desde 2009 tem vindo a lume.

De facto a Linha Amarela durante o período laboral é bem menos frequentada no troço entre Odivelas – Campo Grande e retorno. É um facto que o Metropolitano de Lisboa necessita de reduzir o prejuízo e aumentar as receitas.

Mas será esta a única solução?

Os visionários e as iluminadas defensoras e defensores deste plano de crescimento do metro, esquecem-se de um pormenor importante.

O Metropolitano de Lisboa é uma empresa pública.

A sua única função é exclusivamente prestar serviços de qualidade à população. Nada mais, nada menos.

O investimento em novas composições do metro, mais modernas, mais ecológicas e mais seguras, é fulcral para a melhoria da segurança tanto dos utentes como dos maquinistas, e melhora substancialmente a qualidade do serviço.

A utilização de pessoal para a manutenção, e a sua adequada e certificada formação em vez de se continuar a fazer outsourcing de departamentos de manutenção, muitas vezes sem a certificação nem a formação adequada.

A circulação das composições a uma velocidade para 60km/h como no passado acontecia, possibilita uma maior frequência dos comboios e a uma melhoria de serviço.

A adaptação de todas as estações do metro para utentes com mobilidade reduzida.

A expansão da linha amarela até Loures para se ligar a uma futura expansão da linha vermelha é a prioridade.

Querem melhorar o metro? É desta forma que o fazem.

Não é criarem a malfadada linha circular, que não é de todo prioritária.

Basta terem o exemplo de Londres. Olhem para o plano que eles tinham, e percebem que foram obrigados a criar uma linha paralela para poderem fazer um “éspecie” de linha circular. A razão é simples, as condições de segurança não podiam ser asseguradas pelos engenheiros.

Foi um Ferrari e um Burro!

Porquê tanta insistência neste plano?

Porquê tanta teimosia?

Mais uma vez os cidadãos de Lisboa, Odivelas, Loures, e concelhos circundantes, andam às cavalitas de interesses unicamente pessoais em que apenas alguns lucram e milhares perdem.

A Estrela não quer nem precisa de estação do metro.

Santos não quer nem precisa de estação do metro.

Loures quer e precisa de estação do metro.

O hospital Amadora-Sintra quer e precisa de estação do metro.

Mas nem Loures nem o hospital Amadora-Sintra têm investimentos imobiliários, pertencentes a uma qualquer figura obscura, que serão fortemente valorizados com uma estação do metro à porta.

E quem pagará estas aventuras? Os mesmos de sempre, os cidadãos.

Entre 2015 e 2017 foram gastos mais de 18 milhões de euros do erário público para requalificar a 24 de Julho, Cais do Sodré e Campo das Cebolas. As obras da 24 de Julho com este plano de expansão terão de ser parcialmente destruídas para a instalação dos estaleiros.

Mais uma vez erário público a ser fatalmente mal gerido.

Segundo o relatório de impacto ambiental, que é público, alerta para que o Jardim e a Basílica da Estrela podem ficar em risco com a construção da estação da Estrela.

Mais uma vez pergunto. Porquê tanta teimosia?

Foi de facto um Ferrari e um Burro!

E uma Câmara Municipal que não se digna a defender Odivelas e prostra-se aos caprichos de uma Área Metropolitana de Lisboa.

O PAN quer transportes públicos melhorados para terminar com a dependência das viaturas pessoais. Para corroborar esse desejo, o PAN apresentou um projecto de resolução na Assembleia da República, para declarar prioritária a extensão da linha amarela do metro a Loures e a Sintra. Também apresentou na Assembleia da República uma proposta para tornar os transportes públicos um bem essencial. É este o tipo de politica que deveríamos usar para o bem da população.

O PAN apoia este e qualquer movimento de cidadãos que vise a defesa de Odivelas e dos seus cidadãos e cidadãs, e estaremos ao lado de qualquer força política que o queira fazer.

Porque isto é democracia.

Porque isto é o Portugal que queremos.

Nelson Silva

Deputado Municipal PAN Odivelas

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