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OPINIÃO CRUZEIRO: FLASHBACK

Flashback

No dia em que esta crónica está a ser publicada, é o meu aniversário.

O décimo que passo em Odivelas.

O décimo, com um pé na margem sul e o resto do corpo em Odivelas.

Afinal, os outros trinta e um, não se apagam de um dia para o outro.

Em Odivelas, para mim, foram dez anos de altos e baixos, com conquistas e derrotas, mas é assim a vida.

Apenas espero que aqui continue, por mais uns bons anos. E com muitas vitórias.

 São inevitáveis as comparações entre os concelhos separados pelo Tejo e pela forma de gestão dos diferentes municípios.

Câmaras geridas, sempre pela mesma cor, mas de lados diferentes. O que se nota nas opções que se tomam, para o bem estar da população.

 Foram dez anos em que segui a vida de ambos os lados do rio.

 Ambos os concelhos abusam da autopromoção. Para quê promoverem o que é da sua competência?!

Promoverem hábitos saudáveis e boas praticas de cidadania é mais necessário..

Que vi evoluir um grande parque urbano num dos lados e que do outro, temos que ir ao concelho vizinho para usufruir de um.

Vi promessas de escolas.

De uma das margens, elas apareceram em tempo real, no lado da terra das Oportunidades,demoraram anos e anos a saírem dos projetos, depois dos outoors e agora, finalmente, os alunos e alunas do primeiro ciclo, vão poder iniciar o seu percurso académico numa escola nova,completamente apetrechada e pronta para ambos darem os primeiros passos, no inicio de uma fase tão importante.

Em ambos os concelhos, os problemas de mobilidade e acessibilidade, continuam.

As políticas de utilização de transportes públicos, incentivos e campanhas, não chegam.

Afastam as pessoas da utilização dos transportes públicos,favorecendo o transporte próprio em detrimento de outras opções de mobilidade.

Mas ainda assim, enquanto se tenta passar a travessia ferroviária do Tejo, para a esfera pública, no outro lado, permite-se, acabar com a Linha Amarela do Metro, tal como a conhecemos.

É errado pensar que a criação de mais lugares de estacionamento, ou favorecer o estacionamento em zonas de interface de várias modalidades de transporte, leva a mais pessoas a preferirem, um meio de locomoção que não seja o seu carro.

Há que criar soluções, para que as pessoas cheguem aos meios de transportes públicos a usarem os transportes públicos.

Ambos debatem-se com problemas de acesso à saúde, mesmo nos seus cuidados mais básicos. Demora-se dez anos para que um novo posto de saúde abra portas e ainda assim, com problemas,com a colocação de médicos e a sua distribuição às e aos seus utentes.

Ou postos médicos,com falta de consumíveis, de economato que não é suficiente. E o mais grave, a mesma falta de profissionais de saúde, que é comum em tantos postos de saúde.

A falta de habitação, em condições e acessível é outro dos flagelos de ambos os concelhos. Onde, se esperam anos por soluções em que os executivos continuam a virar a cabeça para lado à espera de um milagre.

Separados por um rio, separados por pseudo políticas diferentes, mas com os mesmas questões essenciais para se verem resolvidas.

Rui Santos

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