OPINIÃO/CRUZEIRO: E NÓS A ARDER COM O NEGÓCIO DA RODOVIÁRIA

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OPINIÃO/CRUZEIRO: E NÓS A ARDER COM O NEGÓCIO DA RODOVIÁRIA

E nós a arder com o negócio da Rodoviária

Nas últimas semanas têm-se sucedido as notícias sobre problemas com autocarros da Rodoviária de Lisboa. Viaturas que ardem vazias,nas paragens,na garagem,ou em serviço, ou com avarias que levam a acidentes rodoviários são referência frequente no espaço público. Para quem viaja regularmente nesses carros importados, com dezenas de anos de vida, nada disso é surpreendente.

A Rodoviária de Lisboa, empresa do grande grupo Barraqueiro, é entidade responsável por assegurar o Serviço Público de transporte coletivo de passageiros no concelho de Odivelas e em alguns outros municípios da periferia de Lisboa. Como em tantos outros setores, o desmantelamento e privatização da Rodoviária representou um recuo na qualidade do Serviço Público prestado às populações, na mesma proporção em que dispararam os lucros dos grupos privados que beneficiaram dessas opções políticas.

O serviço da RL no concelho de Odivelas tem vindo a degradar-se com o passar dos anos. Os horários e percursos têm vindo a ser alterados e encurtados em função da rentabilidade operacional da empresa e não das necessidades de toda a população que, ainda para mais, vê-se obrigada a viajar em autocarros com várias décadas de serviço noutras paragens da Europa.

Somos transportados diariamente, em condições de segurança, no mínimo, duvidosas, sem o conforto necessário, com falta de higiene e sem acessibilidade para pessoas com mobilidade condicionada.

A par do abaixamento da qualidade do serviço de transportes coletivo de passageiros, o seu custo para as pessoas tem vindo a aumentar exponencialmente. Numa área metropolitana que cresceu demasiado para as periferias, empurrando os debaixo para longe do centro urbano principal, a existência de uma rede de transportes coletivos de qualidade que satisfaça as reais necessidades de quem aí vive e trabalha é uma urgência permanente.

As concessões de transportes terão que ser revistas obrigatoriamente em 2019, num processo promovido pelas autarquias locais. Está aqui a oportunidade para as câmaras municipais reconstruirem o Serviço Público de transportes, assegurando a acessibilidade de todas as pessoas e promovendo uma mobilidade económica, social e ambientalmente sustentável, tendo em consideração as necessidades de deslocação das e dos cidadãos, não apenas entre as periferias e Lisboa, no caso da nossa área metropolitana, mas criando boas linhas dentro e entre essas mesmas zonas suburbanas.

No caso de Odivelas, a revisão das concessões será a oportunidade de, também, criar percursos dentro do concelho que sirvam as pessoas e permitam acabar com o negócio do Voltas, que apenas serve algumas áreas mais populosas de uma ou duas freguesias. O serviço Voltas é prestado pela Rodoviária de Lisboa e subsidiado pela Câmara Municipal de Odivelas. Ou seja, a autarquia paga ao detentor da concessão de transportes para que este cumpra o Serviço Público que lhe está contratualmente concedido.

A revisão das concessões de transportes será também o espaço de redefinição dos percursos das diferentes linhas. Adequar as carreiras às necessidades das populações de todas as freguesias do concelho, sem distinção, é um imperativo político, assim como assegurar o acesso a todos os serviços públicos que servem o concelho, como sejam, por exemplo, escolas, centros de saúde ou Hospital Beatriz Ângelo, de qualquer ponto do território.

A discussão da revisão das concessões de transportes deve ser um processo amplo, aberto e participado, que envolva populações, autarcas e especialistas em mobilidade. No centro desse debate estará a escolha entre o Serviço Público e a continuação dos negócios privados à custa da nossa mobilidade. Saibamos aprender com processos semelhantes ocorridos na Europa e assumamos o compromisso com um Serviço Público de Transportes, prestado por operadores públicos, que assegure o direito à mobilidade de qualidade para todas as pessoas.

Nota: Esta segunda-feira, através do presidente da Câmara Municipal de Odivelas, ficámos a saber que ligação direta de metro entre Odivelas e o Rato deverá manter-se, mesmo com a criação da linha circular. Esse compromisso do Governo é uma boa notícia, sem dúvida alguma! Contudo, devemos permanecer alerta em relação aos detalhes que envolverão a continuação desse percurso e manter a reivindicação de melhor e mais serviço do Metropolitano no nosso concelho.

 

Luís Miguel Santos

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