OPINIÃO CRUZEIRO: É MUITA COISA NA MESMA SEMANA

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OPINIÃO CRUZEIRO: É MUITA COISA NA MESMA SEMANA

Ao escrever estas crónicas semanais acontece frequentemente faltar-me um tema que me inspire para as escrever. Não é que a realidade não seja fértil, tanto a nível local como a nível nacional ou global, em eventos importantes e dignos de uma menção nestas humildes crónicas. O problema é mesmo surgir o dito “tema inspirador”. 

Porém, esta semana não faltam temas dessa estirpe. Tentando não perder a janela de oportunidade para falar de todos eles (hoje tudo tem um curtíssimo pavio mediático) vou adotar uma estratégia que já foi utilizada nestas crónicas na Rádio Cruzeiro pelo meu bom amigo Barão das Neves – parafraseando-o “vamos falar por partes”. Tenho a certeza que o meu amigo me perdoará o atrevimento de o copiar.

Vou dedicar a parte 1 à polémica questão da amputação da linha amarela do Metro, destacando a entrega que decorreu hoje (21 de março), na Assembleia da República, de um abaixo-assinado com milhares de assinaturas de cidadãos a vários grupos parlamentares, apelando à intervenção do Parlamento nesta questão estruturante e fundamental para a qualidade de vida dos Odivelenses. É de forma convicta que assumo que fiz parte desse grupo, juntamente com cidadãos e alguns autarcas do nosso concelho que estão particularmente preocupados com este problema. Voltarei a esta questão na semana que vem, com a atenção que merece… 

Devoto a segunda parte desta minha crónica a outra questão ligada à mobilidade – o novo tarifário de passes na Área Metropolitana de Lisboa (AML). É uma excelente notícia para as famílias que residem na AML, correspondendo a uma poupança muito significativa nos orçamentos familiares. Como já alguém disse, é uma medida que equivale a um significativo aumento salarial. Esta medida tem uma importância social acrescida pelo facto de beneficiar particularmente os estratos sociais de rendimentos baixos e médios. Espero, todavia, que esta seja apenas a primeira grande mudança nos transportes públicos na região de Lisboa. Há ainda muito por fazer, particularmente ao nível da qualidade, sustentabilidade ambiental, infraestruturas, cobertura geográfica, disponibilidade, percursos e regularidade. Ainda assim, mexer no tarifário de passes é um ótimo começo. 

A terceira parte desta crónica será consagrada ao atentado terrorista xenófobo, nacionalista, extremista e criminoso a duas mesquitas na em Christchurch, na Nova Zelândia. Já muito foi dito e escrito sobre este atentado e não serei eu a acrescentar algo novo. Contudo, não quero deixar de condenar este ato odioso e intolerante que assassinou homens, mulheres, crianças e velhos com uma frieza arrepiante. Por outro lado, tem sido admirável a reação da primeira-ministra neozelandesa, Jacinda Ardern, por se recusar a dizer o nome do terrorista tirando-lhe a tão desejada exposição mediática e centrando as atenções naqueles que, neste momento, merecem e precisam de toda a nossa atenção: as vítimas e os seus familiares. Esses, sim, são os que importam e não os mensageiros do ódio, da violência, da guerra. Recordemos, também, as últimas palavras que a primeira vítima mortal (afegão Hati Mohemmed Daoud Nabi, de 71 anos) dirigiu ao terrorista que o iria matar pouco depois, enquanto este entrava na mesquita: “Olá, irmão, seja bem-vindo”. São de recordar porque são palavras de paz e de concórdia. As únicas que vale a pena recordar. 

Para a última parte da crónica guardo o assunto que mais me afeta emocionalmente – a tragédia que se abateu sobre a cidade da Beira, em Moçambique. Afeta-me porque passei muito recentemente pelas regiões afetadas pelo ciclone Idai, porque vi o assustador nível de pobreza em que vive a maior parte da população, porque vi que não têm rigorosamente nada (muitas vezes, nem sequer esperança), porque vi aquilo que muitos de nós não queremos ver ou queremos, propositada e comodamente, esquecer. Sinto-me, como melhor disse Mia Couto (que é natural da Beira), – “quase tão destruído como a minha cidade”. Dói-me e angustia-me ver o que nenhum povo merece sofrer, muito menos um povo que já sofre tanto, um povo irmão que partilha connosco a língua e 500 anos de História e que merece de nós toda a compaixão e ajuda que lhe pudermos dar. Façamos, cada um de nós, a nossa pequena parte para ajudar o povo moçambicano nesta hora trágica. Colaboremos com as diversas ações que já estão em marcha, Moçambique merece e precisa. 

E é com este apelo que me despeço.

Até para a semana. Desfrutem de Odivelas!  

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