Opinião Cruzeiro: Contra o Fim da Linha Amarela. Contra o Prejuízo de Muitos.

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O tema Linha Amarela merece esta semana uma particular atenção.

 

Como é sabido, o Governo actual com o apoio inequívoco do actual Presidente da Câmara Municipal de Odivelas recuperou uma idiotice vendida aos eleitores aquando das eleições autárquicas de 2009. Assim, há 10 anos atrás, a então candidata do PS à Câmara Municipal de Odivelas contou com uma ajuda do governo de então, ao prometer através de faustosos power-points e de outras ferramentas de propaganda, que o Metro em Odivelas teria uma linha variante para a Ramada e outra linha que seguiria para Loures. O facto é que nesse projecto, que diga-se de projecto tinha pouco, pois era apenas um “boneco” para ganhar votos, estava incluída a criação de uma linha circular em Lisboa.

Facto é, que sem qualquer consulta pública, o actual Governo veio recuperar partes daquele “boneco” e pretendeu transformá-lo numa espécie de novo plano de expansão do Metro.

 

Importa recuar até antes de 2009 para perceber o que se perspectivava para a expansão do Metro. Assim, a Linha Amarela estava projectada para ir de Odivelas a Alcântara-Mar, via Rato e via Estrela. A Linha Azul não cresceria mais do que actualmente. A Linha Verde ligar-se-ia à Linha Azul na Pontinha. E finalmente, a Linha Vermelha ligaria o Aeroporto ao Lumiar, podendo ter uma variante para a Portela e Sacavém.

Todavia, a recuperação do malfadado “boneco” de 2009 trouxe aos odivelenses um grande amargo de boca. Se por um lado, desse “boneco” de 2009 desaparece o ramal ou variante para a Ramada. E tal acontece sem que os poderes autárquicos de Odivelas, pelo menos, batessem o pé. Por outro lado, vemos que a criação da futura Linha Verde Circular, que fará Campo Grande – Rato – Cais do Sodré – Alameda – Alvalade – Campo Grande, obriga a que a Linha Amarela que recorde-se hoje liga Odivelas ao Rato sem mudanças, nem transbordos, em 2023 ou 2024, passe a ligar Odivelas a Telheiras, via Campo Grande.

As justificações dadas para a criação desta nova linha Verde apontam para a necessidade de por um lado aumentar as frequências de comboios (reduzir os tempos entre comboios da mesma linha) e por outro servir melhor os 16 milhões de passageiros/ano oriundos da Linha de Cascais, alegadamente por estes não conseguirem chegar ao chamado eixo central de Lisboa (Avenidas da Liberdade, Fontes Pereira de Melo e República). Assim, para se servir melhor 16 milhões de passageiros por ano vindos de Cascais, passar-se-à a servir mal cerca de 19 milhões de passageiros anos que se servem das estações a Norte do Campo Grande. O facto é que já hoje quem entre no Metro no Cais do Sodré poderá chegar ao eixo central, sendo que com os projectos anteriores a 2009 poderia ainda chegar melhor. Por outro lado, a questão das frequências não se resolve com linhas circulares, directas, quadradas, ou às pintinhas. A diminuição dos tempos de espera resolve-se com melhor sinaléctica, que está a ser adquirida e acima de tudo com mais comboios e maquinistas. Assim, deitaremos pelo menos 266 milhões de euros para o lixo, pois vamos obter o que obteríamos com muito menos (chegariam 60 milhões para comboios) e vamos tramar a vida ao maior grupo de passageiros de toda a rede de metropolitano.

  • Sabendo que além dos projectos anteriores, que nitidamente são bem melhores do que este actual;
  • Sabendo que o projecto actual de expansão do metro é ilegal porque não foi precedido de audição pública como a lei obriga;
  • Sabendo que o estudo de impacto ambiental revela enormes reservas, que aumentaram ainda mais quando técnicos credenciados, quando sindicatos ferroviários e quando movimentos sociais como o Senado de Odivelas apontaram os riscos ambientais de toda esta loucura;
  • Sabendo que há riscos enormes de segurança com a construção do túnel e estações na encosta da Lapa, onde é comum assistirem a colapsos e deslizamentos;
  • Sabendo que esta ideia aumentará os tempos de viagem aos odivelenses pois obriga-los-à a mudar de comboio no Campo Grande, onde serão despejados comboios cheios de gente vinda de Odivelas, para entrarem em comboios que, entretanto, já trarão passageiros;
  • Sabendo que o transbordo de passageiros em massa é arriscado tanto para os detentores de mobilidade reduzida como para todos os restantes;
  • Sabendo que mesmo que os comboios da Linha Amarela continuem a ir ao Rato às horas de ponta – algo que o Ministro garante e o Presidente do Metro desmente categoricamente -, o facto destes comboios terem de partilhar o mesmo túnel a partir do Campo Grande com os da Linha Circular, tal aumentará as tais frequências dos desejados 4 minutos para 8 minutos. Sim, 8 minutos entre comboios, ou até mais – depende da frequência que se queira dar à Linha Amarela;
  • Sabendo que mesmo que os comboios da Linha Amarela continuem a ir ao Rato às horas de ponta, Odivelas deixará de ter um serviço de transporte público à séria, pois nas restantes partes do dia só um autocarro sobe a Calçada de Carriche, o 736;
  • Sabendo que se a Linha Circular tiver uma avaria toda a rede será afectada, perdendo-se assim alternativas. Ainda esta semana, vindo eu da Baixa e ao verificar que a Linha Verde tinha uma avaria ao invés de mudar para a Azul e depois para a Amarela no Marquês de Pombal (algo que hoje posso fazer, mas no futuro não), lembrei-me de apanhar o 736. Resultado: demorei 3 horas a chegar a casa. 3 sagradas horas, a fazer lembrar outros tempos que não tarda nada estão aí de volta;
  • Sabendo que tudo isto afectará cerca de ½ milhão de portugueses que vivem nas freguesias de Lisboa a norte do Campo Grande, que vivem nos concelhos de Odivelas e de Loures e que vivem nas franjas do concelho de Mafra, isto para não falar dos que vêm de Torres Vedras;
  • Sabendo que milhares de moradores de Santa Clara, do Lumiar, de Telheiras e até da Estrela se estão a mobilizar contra esta malfadada ideia;
  • Sabendo que milhares de odivelenses sobrescreveram uma Petição dirigida à Assembleia da República e um Abaixo-Assinado dirigido a todos os partidos com assento Parlamentar pedindo a reversão desta loucura;
  • Sabendo que a Procuradoria-Geral da República está a investigar esta situação;
  • Sabendo que técnicos altamente qualificados estão contra esta loucura;
  • Sabendo que o PSD, o CDS/PP, o PCP, o BE, o PEV, o PAN e até autarcas do PS além de apoiarem iniciativas “Contra o Fim da Linha Amarela”, têm afirmado ser contra este projecto;

 

Pergunta-se: Porquê? Porquê tudo isto? A soberba do Poder Absoluto misturada com a vontade cega de fazer a ligação ao Cais do Sodré, onde nítidos interesses urbanísticos se verificam à superfície, valerão o prejuízo a tantos?

 

Quanto a prejuízos, além dos de natureza operacional do uso do Metro de que já falei, importa não esquecer os riscos de desvalorização patrimonial e comercial das casas, que em muito se valorizaram quando Odivelas passou a ter um meio de transporte pesado directo para o centro da cidade de Lisboa. Os mercados são muito sensíveis a estas nuances, sendo que é sabido que a simples ida do Metro ao Cais do Sodré valorizará patrimonial e comercialmente toda aquela zona, pelo que é natural considerar que os mercados em contrapartida desvalorização as zonas que ficarem pior servidas deste transporte.

 

Estranho mesmo é verificar que os custos da criação desta Linha Circular Verde e da Linha Amarela Encurtada serão suportados pelos contribuintes, os mesmos que pagam e serão prejudicados pelo que pagam. Isto fará sentido?

 

Para que serve o bom-esforço dos Passes “Navegante” se depois pioram os serviços de transporte?

 

Não posso terminar sem uma nota de esperança: amanhã dia 11 de Abril, por acordo entre todas as bancadas da oposição, a Assembleia Municipal de Odivelas reunirá excepcionalmente às 20:00 horas para tratar a problemática do Plano de Expansão do Metropolitano de Lisboa.

Àqueles e àquelas que não se resignam com maus factos adquiridos, o meu ensejo é que sejam profícuos! Um bem-hajam!

 

Procurarei estar convosco daqui a uma semana, neste mesmo espaço. Até lá!

10/Abril/2019

 

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