Opinião Cruzeiro: Combate ao Racismo ou Oportunismo Obsceno

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Opinião Cruzeiro: Combate ao Racismo ou Oportunismo Obsceno

 

No inicio deste ano de 2020, o país foi confrontado com a morte bárbara de dois jovens:

  1. Em Bragança, Luís Giovani Rodrigues, jovem estudante cabo-verdiano morreu depois de ter sido violentamente agredido.
  2. Em Lisboa, Pedro Fonseca, jovem Engenheiro de Informática, de Odivelas, morreu depois de ter sido violentamente agredido no Campo Grande.

 

De imediato e sem qualquer respeito pela memória destes jovens, nem pelo sofrimento causado às suas famílias os acusadores de serviço desceram à rua e vociferaram as suas certezas, classificando um de crime de ódio racial e o outro de mero crime. Nem a morte de quem quer que seja alguma vez será mera, nem tão pouco sabemos se o contexto de algumas destas mortes foi impelido por algo como o ódio de qualquer que seja a natureza.

 

Honestamente, neste momento o que sabemos é que ambos foram barbaramente assassinados. E em ambos os casos se verifica que aquela história de sermos um povo de brandos costumes só pode ser defendida por total desconhecimento da nossa História. Agrava-se a coisa quando observamos em simultâneo o crescimento dos crimes por razão de género ou os crimes de violência doméstica. Todas estas tipologias de crimes e consequentemente todos os seus resultados, a morte de quem está em desvantagem, não podem ser desviados por olhares tentados por agendas políticas. Ao invés, teremos de reconhecer que a violência extrema está instalada por ter sido cultivada nos media, nas escolas e na comunidade. Temos de rapidamente perceber que se queremos inverter o sentido de tudo isto, não podemos olhar nem para os genitais, nem para a tez, nem para a carteira uns dos outros. Teremos mesmo de cultivar a Cidadania para a Paz, sendo que tal impõe-se que comece nas escolas.

 

Ainda assim e regressando aos dois casos com que comecei, parece avisado que antes de se classificar o que se passou se esperasse pelos resultados da investigação policial/judicial.

 

Verifico uma enorme pressa por alguns sectores em denominar aquele acto bárbaro, violento, macabro e assassino ocorrido em Bragança, como resultante de uma acção xenófoba e/ou racista.

 

Todavia, face ao assassinato do jovem da Pontinha executado por três indivíduos de tez diferente à dele, não vejo ninguém empolgado com a possibilidade de também neste caso se tratar de um crime perpetrado por razões xenófobas.

 

Tal, faz-me indagar porque motivo a um se atribui imediatamente a condição de crime simples e a outro a condição de crime motivado por razões racistas?

 

Pergunto ainda: Mas será que em matéria de crimes de ódio racial, de um lado só provêm vítimas e do outro lado os maus da fita?

 

Meus amigos, ou aceitamos que todos estes casos são crimes hediondos, ou então teremos de aceitar que ambos os casos resultam de crimes hediondos de formulação racista.

 

Distinguir uns crimes dos outros sem termos dados sobre qualquer um deles parece-me igualmente injusto e a roçar o oportunismo sádico, pois serve-se da morte de seres humanos para dar voz a uma agenda política. Agenda política essa, que até parece esconder – da parte de quem a encabeça – alguns traumas de índole racista que também alguns “libertadores” nitidamente carregam no seu discurso e na sua acção, mesmo que travestidos com os mantos das lutas pelos direitos civis de algumas minorias.

 

Há em alguns sectores da nossa sociedade uma enorme pressa para apontar o dedo, pois têm uma agenda que se tornou tão cega como aqueles comportamentos que dizem pretender combater. A aceitação dessa agenda arrisca a que não se procure efectiva justiça contra os criminosos cobardes que ceifaram aquelas vidas, mas que se conclua o que se quer encontrar: Portugal é racista.

 

O certo é que temos de fazer justiça àquelas vidas perdidas. Ambas com o mesmo valor. Ambas tendo em comum, o facto de terem sido roubadas devido a atitudes cobardes. Ambas as mortes, uma, ou mesmo nenhuma daquelas mortes, poderão vir a ser definidas como tendo origem em preconceitos xenófobos.

 

Tudo isto não significa que não haja racismo em Portugal e que tal não deva ser combatido. O que significa é que o bom combate contra o racismo não se faz com recurso a uma caça às bruxas, mal “enjorcada” e com uma agenda distorcida e obscenamente oportunista.

 

Assim, é meu entendimento que este combate corre o risco de acabar mal, pois parece desejar munir-se das ferramentas e formas de actuação idênticas às daqueles que visa contrariar.

 

Eu, procurarei estar convosco, neste mesmo espaço em breve. Até lá!

15/Janeiro/2020

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