Opinião Cruzeiro: Afinal Seremos Todos Vítimas de Quem?

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Na sequência de algumas reflexões que tenho por aqui formulado, foi com particular agrado e interesse que li a Coluna de Opinião no sitio digital Eco News, do Professor Carlos Guimarães Pinto, também presidente do partido Iniciativa Liberal. É sabido que não partilho muitos dos formulários liberais, contudo também é sabido que nunca fecho os meus olhos às reflexões de todos, independentemente das respectivas influências, credos, crenças, bases filosóficas e/ou éticas.

 

O facto é que estes casos de corrupção, de incompatibilidades jurídicas e éticas, de falseamento de documentos visando a promoção social e até académica de alguns e a permanente escolha de incompetentes coloca a meritocracia no fundo a níveis nunca antes vistos, mas também nos deve fazer reflectir sobre outras consequências que igualmente, no mínimo, nos têm de deixar perplexos e fazer pensar sobre os grandes deméritos de uma maioria absoluta que os sempre tendenciosos estudos de opinião nos parecem dar como certa a partir de Outubro próximo.

Professor Carlos Guimarães Pinto, presidente do partido Iniciativa Liberal

 

Como dizia, considero de tal maneira pertinente o conteúdo daquele texto, em que me revejo quase na íntegra, que após pedir ao autor, o trago aqui para que possamos sobre ele ponderar.

 

«Somos Todos Vítimas da Família Socialista

Por estes dias ficamos a saber que a empresa que forneceu as golas inflamáveis ao programa Aldeia Segura é do marido de uma autarca do PS. Num caso mediático anterior ficamos a saber que a VianaPolis, empresa que hoje só existe para demolir o prédio Coutinho, tem como administrador um irmão do Secretário de Estado das Infraestruturas. A cada caso mediático surge uma relação familiar dentro do PS, uma pessoa que foi escolhida pela sua ligação a alguém do PS ou um contrato adjudicado a um familiar de um responsável do PS. Se em cada caso mediático escrutinado pela imprensa se encontra uma relação familiar, não é difícil imaginar os milhares de casos de relações familiares pelo país fora longe do escrutínio mediático.

 

Pode haver a tentação de olhar para esta teia de interesses e ver nela um crime sem vítimas. Possivelmente até haverá a tentação de os atacar mais por inveja, pela vontade de também pertencer a esse grupo fechado que controla o Estado, as suas nomeações e os seus negócios, do que pela vontade de acabar com essa teia. Mas, ao contrário do que se possa pensar, este é um crime com muitas vítimas.

 

As primeiras vítimas são os contribuintes. Por cada negócio atribuído por favor, há uma despesa adicional do Estado em resultado de o processo de compra não ter sido concorrencial. Essa despesa será paga pelos contribuintes sob a forma de impostos mais altos ou impostos que poderiam ser cortados e assim não o são.

 

As segundas vítimas são os utentes dos serviços públicos, como as pessoas abrangidas pelo programa Aldeia Segura, aos quais são fornecidos serviços de menor qualidade. O caso das golas foi descoberto a tempo, mas não seria muito difícil de imaginar a tragédia se algumas daquelas pessoas tivessem usado o material inflamável numa situação de incêndio. Se casos destes se repetem em Hospitais e Escolas não é muito difícil antecipar as consequências no funcionamento diário dos serviços do Estado.

 

As terceiras vítimas são as pessoas competentes afastadas de oportunidades por não terem relações certas. Imaginem uma empresa que investe no melhor produto, nas tecnologias que lhe permitem produzi-lo ao menor preço e contrata as pessoas mais capazes para gerir essa produção. Imaginem que essa empresa perde contratos apenas por não ter acesso a pessoas dentro de um partido político. Ao fim de algum tempo, a melhor empresa desaparece, os seus quadros emigram e o seu equipamento entregue ao desbarato às empresas pior geridas, mas com os contactos certos. As pessoas competentes [são assim] punidas por também serem honestas e deixam de acrescentar valor ao país, onde podiam trazer mais investimento e criar empregos.

 

As quartas vítimas são todos os outros que beneficiariam de ter pessoas competentes e empresas bem geridas à sua volta. Somos todos nós que beneficiaríamos do dinamismo económico que impostos mais baixos trariam, dos salários mais altos e das oportunidades de negócio.

 

Nós somos todos vítimas da teia familiar do Partido Socialista.

 

Sendo todos vítimas, estando todos a sofrer na pele as consequências deste horrível estado de coisas, é incompreensível como o PS consegue estar perto da maioria absoluta em todas as sondagens.

 

É ainda mais incompreensível como, caso o PS não consiga esta maioria absoluta, não faltam já candidatos a permitir-lhes que governem mais 4 anos, desde o PSD ao PCP, passando pelo BE e pelo PAN. Sendo todos vítimas, o chocante é que, ainda assim, existam tantos disponíveis para serem cúmplices.»

 

Nas últimas semanas tenho reflectido com o auditório da Rádio Cruzeiro sobre as escolhas que formulamos e que em breve voltaremos a formular, mas acima de tudo sobre os critérios que usamos para as fazer. Atente-se, as não-escolhas – que são escolhas em si mesmo – ou as escolhas expressamente operadas sobre nós recairão, sobre as nossas vidas, sobre os nossos impostos que tudo pagam, sobre a forma como deixaremos o país às gerações vindouras e sobre o ecossistema e a nossa Casa Conjunta, a Terra. Por tal, não sejamos nem levianos, nem dolosos, mas muito menos sejamos desprovidos de racionalidade na hora da escolha, devendo ter presente que as maiorias absolutas em si mesmo são uma contradição da democracia, pois concentram num partido ou coligação todo o poder.

 

Ao constatar que em todos os tempos o progresso da liberdade enfrentou seus inimigos naturais, a ignorância e superstição, a sede de conquista e o desejo de poder, o liberal Lord Acton resumiu de forma superior no seu livro The History of Freedom (A História da Liberdade), da seguinte forma:

 

«O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente»!

 

Não sejamos, pois, responsáveis por tamanha distorção!

 

Ao Professor Carlos Guimarães Pinto, deixo aqui o meu público agradecimento pela partilha da sua reflexão na “Opinião Cruzeiro”.

 

Procurarei estar convosco daqui a uma semana, neste mesmo espaço. Até lá!

31/Julho/2019

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