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De tempos a tempos em actos de contrição e parecendo resultar de sinceras análises introspectivas ouvimos alguns políticos falar do afastamento dos cidadãos face à política. Este assunto costuma ser mais presente particularmente a seguir a actos eleitorais, onde ou a abstenção é elevada ou onde os resultados eleitorais ficam aquém do desejado.

 

Se realmente interessar à classe política identificar o que tem levado os cidadãos para bem longe dos seus palanques, para bem longe dos seus discursos, terá de primeiramente olhar em redor e verificar que há partidos que têm conseguido capitalizar votos no seio destas ditas crises de confiança do sistema. É um facto que, com algumas excepções, quem mais capitaliza com a decadência dos partidos sistémicos têm sido os chamados partidos populistas, com tendências para extremismos. Os partidos do sistema ao olhar para estes partidos populistas devem fazê-lo não para replicar formatos, ideias e anseios, mas precisamente para no inverso do que proclamam encontrar os motivos que levam os cidadãos a voltarem-se para eles.

 

É um facto que com a corrupção à cabeça, emerge a má gestão da coisa pública que assim fica mais cara pois investe-se em desperdício para satisfazer as barrigas dos que compram aqueles que por todos são escolhidos. A falta de visão e de espírito de missão associadas a necessidades de carreiras políticas por ausência de carreiras profissionais como acontece a muitos do actores políticos também não ajudam. A constante e continuada criação de expectativas, através de programas eleitorais fantasiosos, não suportados pela racionalidade, nem pelos recursos necessários, acabam por serem goradas. Tal só aumenta a desconfiança face à competência gestionária de uma classe que deseja liderar, todavia mentindo constantemente.

 

Pior é verificar-se de forma declarada a incompetência ou algo pior, por parte daqueles que nos lideram. Como prova disso recordo só um punhado de casos, aqui em Odivelas:

  1. O Pavilhão Multiusos de Odivelas, mandado construir através de uma Parceria Pública ou Privada, que resultou num acréscimo quase em triplo de custos para os cofres públicos, acaso a solução tivesse contado somente com investimento público. Ficou caro. Pois é, ficou caro, mas o pior é que foi mandado fazer sem se saber bem o que se queria fazer com aquilo. Ainda hoje andam a ver…
  2. A tentativa de privatização da água motivada, imagine-se, porque duas autarquias da mesma cor política não se entendiam. Chegaram mesmo a abrir concursos para a concessão da exploração até que uma das Câmaras muda de cor e foi possível chegar a acordo. Esta brincadeira custou mais umas indemnizações valentes a pagar aos concorrentes à concessão que entretanto se gorou.
  3. A transferência do Mosteiro de São Dinis e de São Bernardo para a esfera da Autarquia. Mais uma despesa enorme com uma renda louca, contudo quiseram ficar com aquele equipamento sem saber bem para quê. Ainda hoje não nos dizem para que o quiseram…
  4. O corte da Linha Amarela do Metro, onde descaradamente insistem em dizer o contrário do que irá suceder. A verdade é que com o projecto que está em causa, a população de Odivelas demorará muito mais tempo do que hoje a chegar ao centro de Lisboa, aos seus pontos de trabalho, além de outros perigos a que será sujeita, somente porque alguém achou giro haver uma linha circular em Lisboa…
  5. A afirmação veemente da então Vereadora da Educação da desnecessidade de se retirarem as estruturas em fibrocimento existentes nas escolas, “por não haver evidência científica que tal o provasse”, mesmo na presença de documentos do LNEC e da OMS fornecidos pelo então Vereador Hernâni Carvalho, onde eram demonstrados cientificamente os riscos cancerígenos oriundos das estruturas de fibrocimento, contendo amianto.

 

Quanto aos últimos casos, quem lidera o Município de Odivelas fica mesmo muito mal na fotografia, pois ao invés de proteger as necessidades de transportes dos odivelenses, persiste no erro obrigando a comunidade a ter de se manifestar Contra o Fim da Linha Amarela, substituindo assim o papel que seria expectável fosse desempenhado pelos líderes políticos. O mesmo se passa com as estruturas de amianto nas escolas que instigaram a criação de Petições populares.

 

Face a este cenário, emerge a questão: Para quê votar? Para quê votar se no final os cidadãos têm de tomar os assuntos em mãos? Para quê escolher representantes que actuam sem ouvir a voz do povo? Para quê eleger quem assume, por vezes – e não são poucas – o papel de inimigo de quem os elege?

 

O segredo poderá estar numa palavrinha: Lealdade!

Logo que incorporada como valor ético primeiro, seja a corrupção, seja a expectativa de se ser corrompido deixarão de ser fortes entraves a governar em prole dos cidadãos, dos eleitores. Quando os eleitores deixarem de ser vistos como votantes, mas como aqueles a quem os políticos assumem o desígnio de representar, inevitavelmente os votos regressarão…

 

Naturalmente que face ao estado de degradação a que este afastamento levou, impõe-se que rapidamente se implante formação escolar e académica a ministrar a todos em Educação para a Paz e para a Cidadania.

 

Procurarei estar convosco daqui a uma semana, neste mesmo espaço.

Até lá!

05/Junho/2019

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