OPINIÃO/CRUZEIRO: A BACTÉRIA

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OPINIÃO/CRUZEIRO: A BACTÉRIA

A BACTÉRIA

A bactéria que nos afeta a todas as pessoas e que alguém quis proibir. Com esse decreto, dos cortes na manutenção dos equipamentos de filtragem de partículas e nos exames periódicos que deveriam ser feitos, a bactéria continua a aparecer.

E agora?! Foi presa preventivamente?! Ter-lhe-á sido decretado termo de identidade e residência?! Estará obrigada a apresentações periódicas na esquadra da área de residência?! Certamente, foi colocada em liberdade, como se percebe através dos alertas que se têm feito ouvir de norte a sul do país.

Contudo, a bactéria já ceifou tantas ou mais vidas, em meia dúzia de ocorrências, do que os incêndios deste verão. Mas essa comparação não é refletida na abertura dos noticiários da televisão ou da rádio e nem nas capas dos jornais.

Silenciosamente, a legionella toma conta das nossas vidas e, como em tantas outras circunstâncias, a memória das pessoas é curta! O que aconteceu no passado, na zona de Vila Franca de Xira, não interessa que venha à ribalta, através de certa imprensa especializada em propaganda politica.

Casos conhecidos, já foram alguns, após esse desastre de 2014. Num hospital, onde a saúde, a segurança e o bem-estar das populações deveriam ser uma certeza, dezenas de pessoas foram infetadas. Ali, não poderia acontecer tal coisa, Independentemente dos cortes ou das orientações de gestão. Em tão privilegiado espaço da nossa vida coletiva, a saúde e segurança de utentes e de quem lá trabalha não pode de ser posta em causa, por politicas baixas e nem pela imposição de diretrizes cegas, por parte de quem olha para as pessoas como número e não como cidadãos de pleno direito.

Numa escola em Ourique, através das tubagens de um balneário, a bactéria voltou a atacar. Sendo uma grave questão de saúde pública, não pode ser, novamente ignorada. Tal como não pode ser agora aproveitada para demagógicas proclamações politicas.

Este género de ocorrência deveria ter tido alguma desenvoltura nas respostas a implementar, após o primeiro acontecimento. A aplicação efetiva de medidas no imediato e no médio prazo era uma obrigação. Mas nada aconteceu de facto! Depois de mais casos se repetirem reaparece a discussão e quem cortou agora critica, enquanto que quem, há anos, criticou já teve tempo para atualizar e fazer cumprir a legislação.

Cativar milhões de euros no Serviço Nacional de Saúde ou não investir o necessário na Escola Pública tem consequências. Os resultados do défice não podem ser inversamente proporcionais à segurança e à qualidade de vida das populações, particularmente nos serviços públicos. Só um estado forte e capaz de dotar os seus serviços dos recursos necessários garante a qualidade de vida e a equidade a todas as pessoas.

Nota: Na passada quinta-feira, dia 30 de novembro, morreu Zé Pedro, fundador da mais reconhecida banda de música portuguesa. A música, os Xutos e Pontapés, os seus amigos e familiares perderam um dos melhores e mais generosos homens da cultura portuguesa. Desapareceu, igualmente, um ativista político e social que não tinha medo de assumir frontal e empenhadamente as causas que acreditava, fosse no plano interno ou internacional. A nossa casinha ficou mais pobre, mas para sempre ficará vivo dentro de cada um e cada uma de nós o circo de feras que esse homem do leme ajudou a erguer.

Luís Miguel Santos

 

 

 

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