ACONTECEU A 14 DE JULHO NO ANO …   

ACONTECEU A 13 DE JULHO DO ANO …
13 Julho, 2020
ACONTECEU EM 15 DE JULHO DO ANO …
15 Julho, 2020

ACONTECEU A 14 DE JULHO NO ANO …   

14 Julho 2009 – Morreu com a doença de Alzheimer em Lisboa, Hermínio da Palma Inácio, revolucionário português contra o Estado Novo.

ACONTECEU A 14 DE JULHO NO ANO …  

 

SANTO CAMILO DE LELLIS – Nasceu em 1550 em Bochianico, Abruzzi, de envergadura anormal, foi mercenário no exército veneziano, onde se viciou no jogo e perdeu tudo o que tinha, inclusive a sua camisa que os credores lhe arrancaram do corpo, tendo passado por grandes dificuldades. Com 25 anos ouviu um sermão que o fez ajoelhar, arrepender–se e implorar misericórdia aos céus, tentou ser franciscano mas foi recusado por ter um defeito numa perna, o que o levou a dedicar–se à atenção dos doentes, no Hospital de Santo Giacomo, de que se tornou administrador, ordenado padre, e sabendo da brutalidade de alguns tratamentos aos doentes fundou os ministros dos doentes, para cuidarem dos doentes em casas e em hospitais, faleceu em Génova em 1614, canonizado em 1746, padroeiro das enfermeiras.

939 – Foi designado o Papa Estêvão VIII, o 127.º.

1099 – Durante a primeira cruzada os cavaleiros católicos portugueses tomaram Jerusalém, após sete semanas de cerco e de massacrar as populações muçulmanas.

1536 – Portugal e França celebraram o Tratado de Lyon, com o objetivo de fazerem um ataque a Espanha.

1751 – Concedida em Lisboa a Henrique Smith a primeira fábrica de refinação de açúcar.

1789 – Tomada da Bastilha, pelo povo de Paris, durante a revolução francesa, é o dia nacional da França. A revolução francesa foi considerada como o acontecimento que deu início à Idade Contemporânea, abolindo a servidão e os direitos feudais e proclamou os princípios universais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade frase de autoria de Jean–Jacques Rousseau, para a França, abriu–se em 1789 o longo período de convulsões políticas do século XIX, fazendo–a passar por várias repúblicas, uma ditadura, uma monarquia constitucional e dois impérios.

1789 – Nesta data soube–se que constaram do quadro da Loge Les Neuf Soeurs, a mais famosa de França, Voltaire, Turgot, Helvetius, Lalande, Lacepède, Conde de Rochefoucauld, Marquês de Lafayette, Paul Jones, d’Alembert, Claude Vernet, Grauize, Houdon, Camille Desmoulins, Andrea Chenier, Boucher, Benjamin Franklin, Fourcroy, Dupatcy, e noutras lojas, Mirabeau, Joseph de Maistre, Beaumarchais, Massena, Turpin, Chaligni, Talleyrand, Jean-Jacques Rousseau e o Barão de Holbach.

1790 – Suprimido o regime absolutista em França.

1866 – Nasceu em Seixas, Caminha, Miguel Ventura Terra, arquiteto, fez o projeto em 1866 da Câmara dos Deputados e parte restante do Parlamento, obra terminada em 1902, concebeu dos dois pavilhões portugueses na Exposição de Paris de 1900, de convicções republicanas e maçónicas, destaca–se como o autor da primeira creche em Lisboa a Associação de Proteção à Primeira Infância, Liceus Pedro Nunes, Camões, e Maria Amália Vaz de Carvalho, Maternidade Alfredo da Costa, Banco Totta & Açores, na Rua do Ouro, Teatro Politeama, Sinagoga de Lisboa, Prémio Valmor em 1903, 1906 e 1909. Faleceu em 30/4/1909.

1867 – Alfred Nobel fez a primeira demonstração pública do dinamite numa pedreira.

1886 – Saiu o semanário do Porto ‘Chavari’ dirigido por Acácio Guedes do Amaral com o pseudónimo de Acácio Trigueiro que foi publicado até 29/4/1899.

1906 – Nasceu em Milheirós de Poiares, Sebastião Soares de Resende, 1.° Bispo da Beira, ordenado no Porto, licenciado em filosofia em Roma na Universidade Gregoriana, cónego da Catedral do Porto, entendeu os problemas de África e incorporou a defesa dos valores locais nas suas pastorais, o que lhe valeu a perseguição pela P.I.D.E., promoveu o Diário de Moçambique, suspenso três vezes, defendeu a educação para os autóctones opondo–se à política da sua portugalização, ordenou em 1965 na igreja de Macutí, Mateus Guengere o primeiro negro da diocese, natural de Murraça, o atual Bispo da Beira, Jaime Pedro Gonçalves também foi por si ordenado. Morreu de cancro em 25/1/1967, sepultado em campa rasa no cemitério de Santa Isabel, Moçambique.

1913 – Nasceu em Omaha, Nebraska, Gerald Rudolph Ford Junior, antes de ter sido adotado era Leslie Lynch King Junior, político republicano, 38.° presidente de 1974/77 substituindo Richard Nixon de quem era vice–presidente após o escândalo de Watergate, promoveu os direitos humanos, o fim do regime na antiga Rodésia, concluiu a retirada do Vietname, admitiu mulheres nas forças armadas. Faleceu em 26/12/2006.

1918 – Nasceu em Anselmo, Nebraska, Jay Wright Forrester, engenheiro informático, estudou nas Universidade Nebraska, Lincoln, M.I.T. de Boston, inventor da memória de acesso random de computador, escreveu obras técnicas, ‘Industrial Dynamics, Systems Dynamics in Management Education’ e ‘The City, Growth, Stagnation, and Revival’. Faleceu em 16/11/2016.

1933 – O partido nazista da Alemanha fechou as agremiações de oposição e começou a perseguição aos comunistas.

1958 – Golpe de estado no Iraque, assassinados por militares em Bagdad o rei Faiçal, o seu herdeiro e o primeiro-ministro, os oficiais revoltosos proclamaram a república.

1965 – O satélite americano Mariner 4 é o primeiro a mandar para a Terra fotografias do planeta Marte.

2003 – Investigadores portugueses, liderados por Manuel Sobrinho Simões do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto, descobriram um método de identificação e tratamento precoce, que diminui os riscos de evolução duma infeção para cancro do estômago, pelo que foram distinguidos com o Prémio Pessoa.

2009Morreu com a doença de Alzheimer em Lisboa, Hermínio da Palma Inácio. um revolucionário português contra o Estado Novo. É conhecido por ter protagonizado o primeiro desvio de um voo comercial de que há registo, a Operação Vagô, em que um avião da TAP sobrevoa Lisboa, Barreiro, Setúbal, Beja e Faro a baixa altitude para lançar cerca de 100 mil panfletos com apelos à revolta popular contra a ditadura.

Palma Inácio iniciou a luta antifascista com a sua adesão ao Golpe dos Militares, um movimento desencadeado em 10 de abril de 1947 pelo general Godinho e pelo almirante Cabeçadas e que contou com a participação de alguns civis, entre os quais João Soares, pai de Mário Soares.

Ao jovem revolucionário, então com 25 anos, coube a tarefa de sabotar os aviões da base aérea da Granja, Sintra, onde havia prestado serviço militar na companhia do oficial da Força Aérea Humberto Delgado.

Esta ação acabou por lhe valer sete meses de clandestinidade, numa quinta em Odivelas, seguindo-se a sua detenção pela PIDE, conhecendo assim, pela primeira vez, as celas do Aljube. À espera do julgamento, Palma Inácio foi preparando a fuga. Na manhã de 16 de maio de 1948, com quatro lençóis enrolados nas pernas, debaixo das calças, juntou-se aos outros reclusos, na fila para a casa-de-banho. Um breve momento de ausência do guarda permitiu-lhe lançar-se pela janela, numa altura de cerca de 15 metros do chão, caindo no exterior do edifício junto à sentinela, que não teve tempo de reagir. Palma Inácio pôs-se em fuga, desaparecendo no meio da multidão. Com a PIDE de novo à sua procura, seguiu para Marrocos, de onde, após várias peripécias pelos mares, consegue chegar aos Estados Unidos da América. O brevet de piloto garantiu-lhe a sobrevivência, mas as autoridades acabaram por localizá-lo, obrigando-o a abandonar o país. O destino foi o Rio de Janeiro, juntando-se assim a outros antifascistas que do exterior procuravam meios para acabar com o regime de Salazar em Portugal. Estava-se em 1956 e Palma Inácio contava 34 anos. Dois anos depois, a luta antifascista agitou-se com a candidatura do General Humberto Delgado às eleições presidenciais e o exílio deste no Brasil, onde pouco tempo depois se refugiou também o capitão Henrique Galvão.

Palma Inácio, acompanhado de Camilo Mortágua, Amândio Silva, Maria Helena Vidal, João Martins e Francisco Vasconcelos, preparou então uma operação que haveria de acordar Lisboa de espanto – na manhã de 10 de novembro de 1961, um avião da TAP, que partira de Casablanca, é desviado para sobrevoar a capital, onde são lançados cerca de 100 mil panfletos antifascistas. Os caças da Força Aérea não conseguem intercetar o avião, que regressa incólume a Casablanca.

De regresso ao Brasil, o grupo confrontou-se com a necessidade de procurar financiamento para as suas operações. Começou assim a preparação do célebre e histórico assalto à delegação ou dependência do Banco de Portugal na Figueira da Foz, concretizada a 17 de maio de 1967 com Camilo Mortágua, António Barracosa, Luís Benvindo e outros, sendo roubados cerca de 29.000.000$00, ao tempo uma enorme quantia.

Nesta altura, o movimento antifascista estava concentrado em Paris, onde acaba por nascer a LUAR – Liga de Unidade e Acção Revolucionária –, que reivindicou o assalto como operação manifestamente política.

Na capital francesa, Palma Inácio planeou outro golpe, que acabaria por fracassar: tomar a cidade da Covilhã. Desta vez, é detido pela PIDE. Conseguiu fugir da prisão do Porto serrando as grades da cela com lâminas que a sua irmã lhe fizera chegar. Esta ação teve a ajuda de um informador da PIDE de alcunha «o Canário». Os inspetores da PIDE Sachetti (que se tinha infiltrado na LUAR) e Barbieri Cardoso sabiam da existência das lâminas, mas nunca as conseguiram localizar, apesar das inúmeras revistas à cela.

Em novembro de 1973, depois de ter entrado clandestinamente em Portugal para mais uma operação, Palma Inácio é de novo detido pela PIDE (já então rebatizada como DGS – Direcção-Geral de Segurança).

Cinco meses depois, na sua cela, recebeu, em código morse feito pela buzina de um carro, nas imediações de Caxias, a primeira notícia de que um golpe militar está em curso. No dia seguinte, a 26 de abril, chegou a ordem de libertação dos presos políticos. Contudo, Palma Inácio foi o último a sair, pois alguns militares, que recusavam ver o assalto à Figueira da Foz como uma operação política, resistiram à sua libertação.

Conforme sustenta António de Almeida Santos no livro Quase Retratos (Notícias Editorial, Lisboa), Palma Inácio pautou sempre a sua ação política por um desejo escrupuloso de evitar derramamento de sangue. Depois da revolução de 25 de Abril de 1974, manteve a LUAR em ponto morto, aguardando a consolidação da democracia e manifestando desaprovação perante as tentativas de instauração de uma ditadura militar de esquerda. Em princípios de 1976, dada a normalização da vida política, dissolveu a LUAR, passando a viver como um modestíssimo cidadão comum e recusando benesses e privilégios.

Ainda segundo Almeida Santos na obra citada, Mário Soares, durante a sua magistratura como Presidente da República, quis distinguir Palma Inácio com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, mas o Conselho das Ordens opôs-se.

A 10 de maio de 2000, Jorge Sampaio, sucessor de Mário Soares na Presidência da República, atribuiu finalmente, pela mão de Manuel Alegre, a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade a Hermínio da Palma Inácio.

Desde 2016 o seu nome está consagrado na toponímia de Lisboa através da Rua Hermínio da Palma Inácio, situada na zona das Calvanas, na freguesia de Santa Clara.

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